Ano 22 — em retrospetiva
sinopse
o Mar já morou aqui.
Partiu a água, ficou o sal e o horizonte,
como nas ilhas,
Rodeado de searas por todos os lados.
São poucos os barcos, encalhados na paisagem,
que rompem a planície,
Abrigam os últimos Alcaides que sobrevivem nos seus adarves e gáveas,
a contemplar a paisagem, na esperança de encontrar viajantes incautos,
vozes perdidas, nos corredores do tempo,
que tragam noticias do lá longe.
Os Homens lá longe,
Falam do tempo, de um novo recomeço.
Juntam-se na rua, gritam, sorriem e abraçam quem passa,
Respiram saudades do tempo ido,
Inumam remorsos e arrependimentos,
Revelam-se epifanias, gritam-se segredos e angústias,
…e proclamam — não vamos parar!
Declaram guerra ao futuro, abrem o peito à liberdade… juntos!
Elegem inimigos e derrotados, espiões, cúmplices e farsantes.
…e proclamam — não vamos parar!
Quando a luz se cansa,
O Horizonte se esconde,
as vozes metálicas e extenuadas retornam ao peito.
…e proclamam baixinho — voltamos amanhã!
Talvez o logro seja a aventura,
Mas o recomeço, por mais tortuoso que seja,
é sempre esperança.
2014